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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Uma questão de espaço e respeito

Com o advento da internet e da rápida troca de informações, a imprensa esportiva perde sua influência nos estádios

Por Felipe Augusto Nascimento

Já se foi o tempo em que a principal fonte de transmissão de partidas de futebol era o rádio. Não que este meio tenha se apagado completamente, ainda existem inúmeros brasileiros que optam por acompanhar as partidas através das vozes de seus narradores preferidos.

No entanto, o espaço fornecido a estes profissionais do jornalismo esportivo vem diminuindo com o tempo. “Antigamente era assim, a gente chegava no estádio, não precisava nem ter ingresso. Se era da imprensa a entrada era liberada. Hoje já não é mais assim, semana passada mesmo, no jogo do Paraná Clube eu fui barrado na portaria, mesmo apresentando a carteirinha de jornalista esportivo”, comenta José Hidalgo Neto, ou “Capitão Hidalgo”, que atualmente trabalha como narrador esportivo na rádio Evangelizar.

Para o comentarista e cronista esportivo Isaias Nessa, que atua na área a mais de 20 anos, “o jornalista esportivo precisa recuperar a sua ‘fama de mal’. Em 1993 a gente ia fazer entrevista com jogador dentro de vestiário, dentro do quarto de hotel, cinco minutos antes de subir no campo. E as perguntas eram feitas para constranger mesmo! Hoje tem que ser pergunta rasa e só durante a coletiva de imprensa. Isso se o jogador responder. ”

Em compensação, o constante avanço da tecnologia possibilitou que o trabalho destes profissionais se tornasse mais rápido e eficiente. “Para realizar uma entrevista em campo era preciso, no mínimo, um cabo de 20 metros. Isso se você tivesse um equipamento de captação de som por perto”, comenta Hidalgo, que afirma, ainda, que a praticidade deu lugar ao comodismo. “Não nego que era exaustivo carregar toda aquela parafernália de equipamento, mas pelo menos nós trazíamos um conteúdo relevante para o ouvinte. "

Quando questionados sobre o espaço fornecido para a imprensa em jogos de futebol, a direção do Couto Pereira afirmou que existe uma área determinada para jornalistas de todos os fins, sejam eles cronistas, comentaristas ou narradores. No entanto, seguindo os novos padrões de segurança implementados pela FIFA, locais como vestiários são reservados apenas para os jogadores.

Padrão Fifa: exagero ou necessidade?

Arena da Baixada tornou-se um estádio padrão Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2014, para alguns um exagero e para outros extrema necessidade.

Por Dayane Sottomaior

As reformas realizadas na Arena da Baixada é um assunto bastante comentado, desde a Copa do Mundo de 2014. O atraso nas obras devido ao aumento no custo da construção, em que o Clube afirma ter sido pego de surpresa, foi um dos temas mais falados durante o período de pré-inauguração.

O Caderno De Encargos da Federação Internacional de Futebol (Fifa), contribuiu para que o orçamento da Arena da Baixada subisse em aproximadamente R$80 milhões. Entre as exigências, estavam: um prédio com cinco mil metros quadrados para abrigar o centro de imprensa, troca de todas as cadeiras, incluindo a dos camarotes, troca do sistema de iluminação, instalação de geradores de luz, contratação de novos projetos, sistema de ar condicionado em diversas áreas e climatização de camarotes, rebaixamento de gramado, novo sistema de irrigação e cobertura de teto.

Muitos se perguntam se a extensa lista de adequação para a nova Arena era de fato uma necessidade do estádio ou um requerimento exagerado da Fifa, que propôs um modelo de arena baseado nos campos europeus.

A equipe do CN – Vida de Estádio conversou com a engenheira civil Alessandra Muxfeldt, que acredita que um estádio que se dispôs a sediar a Copa do Mundo precisa seguir ao pé da letra todas as diretrizes em questão. “Essas exigências impostas pela Fifa são de extrema importância, porque são regulamentações baseadas em anos de estudos e pesquisas sobre as necessidades de cada região. Essas diretrizes visam no fim oferecer uma infraestrutura de melhor conforto e qualidade para os usuários” comenta.

Na opinião da engenheira, o grande empecilho para o sucesso na reforma da Arena da Baixada não foram as exigências da Fifa, mas sim a falta de planejamento na parte orçamentária. “O caderno de encargos da Fifa diz que é necessário adequar alguns aspectos a região, ao tipo de material existente na região e a verba que o país tem para construir aquele estádio, então elas não são tão restritivas. ”

Já a arquiteta e urbanista Carla Armstrong, não concorda que todas as exigências requeridas pela Fifa sejam realmente de extrema importância. Para ela a cobrança deveria ser mais rígida ao redor do estádio. “Acho bem válido que o entorno do estádio tenha suporte para aguentar a demanda do público, como a existência de estacionamentos para carros e ônibus, presença de hotéis e centros comerciais. Mas muitas vezes essas exigências acabam só por dobrar o valor das obras. Outro ponto relevante é a acessibilidade fora do estádio, “não adianta o estádio estar cheio de rampas e banheiros equipados, se as calçadas ao redor não colaboram com os cadeirantes, por exemplo”.

Bloqueio de ruas entorno de estádios gera transtornos e confortos para moradores


Apesar de evitar conflitos em frente as residências a locomoção se torna mais difícil

Por Cinthia Namy Takei

Em dias de jogos, as ruas entorno dos estádios são bloqueadas para melhor acesso dos torcedores, controle policial e evitar atropelamentos. No caso do estádio Couto Pereira, que fica localizado no Alto da XV, os cinco pontos bloqueados são as ruas que dão acesso ao estádio. Dentre elas estão: Rua Amâncio Moro, Rua Mauá e Rua Floriano Essenfelder.

Segundo a policial Keila Tanner Dias, o bloqueio das ruas começa duas horas antes do início do jogo. No Couto Pereira, em média, são 12 policiais que cuidam dos bloqueios. Em dias de Atletiba, o número dobra, são 24 policias reforçando os pontos. A assessoria da Polícia Militar (PM), não recebe muitas reclamações de moradores, pois essas medidas acabam evitando tumultos na frente das residências.

Na Arena da Baixada, que fica localizado no Água Verde, algumas ruas são bloqueadas. Em dias de Atletiba, aumenta o número de pontos que é proibida a passagem de carros. Dentre eles, estão as ruas Engenheiro Rebouças, Brasílio Itiberê, Alferes Ângelo Sampaio e Avenida Getúlio Vargas.

Para a aposentada Suzana Pereira, 52, em alguns casos o bloqueio atrapalha, principalmente quando há jogos nos domingos. A moradora fala que a maior dificuldade é a locomoção. “Atrapalha para sair e chegar em casa. Quando o jogo acaba é ruim, pois aumenta a quantidade de veículos, tornando assim o trânsito mais lento.” Apesar do incômodo, a aposentada não faz reclamação para a polícia, pois é necessário para a realização do evento.

Mesmo com investimento da prefeitura, Praça ainda deixa a desejar



As obras que revitalizavam o local estão atrasadas por conta de licitações

Por Marcelle Nogueira

A Praça Afonso Botelho, localizada em frente a Arena da Baixada, está passando por obras desde a Copa do Mundo. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), responsável pelas obras, reformou o local para funcionar como um estacionamento durante o campeonato, mas o segundo projeto, era de uma praça com muitas atrações para os curitibanos.

A primeira fase de obras que a transformava em um estacionamento foi concluída em março de 2014 e teve um investimento de R$ 1,64 milhão. A segunda parte da obra conta com um investimento por parte da prefeitura de R$ 4,6 milhões. O projeto prevê a construção de uma pista de skate, canchas de esporte, parquinho para crianças e adaptações para garantir a acessibilidade. Também será construído um prédio para uso da Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude.

A praça está para ser modificada desde o fim do campeonato, em julho de 2014. A equipe do CN – Vida de Estádio procurou a prefeitura que alegou que a demora ocorreu por conta da desistência da empresa que iria prestar os serviços, a licitação teve que ser refeita e as obras começaram em fevereiro deste ano, com um prazo de 12 meses para a entrega.

O atraso não agrada frequentadores do local. Para Caroline Krause, 20, “a praça era um lugar que eu ia muito para fins de lazer, reformaram para virar estacionamento, depois começaram de novo, mas não terminam nunca. Eu sempre estava lá com o meu pai e minha irmã, sinto muita falta”.

O torcedor do Atlético Paranaense, Flávio Lopes Cordeiro, 23, ia mais cedo para o estádio em dias de jogos “nós sempre marcávamos de ficar conversando lá na praça, mas agora com as obras, acabo entrando direto. Espero que as obras não atrasem mais”.

Usuários de ônibus sofrem com bloqueio de ruas em dias de jogos


Algumas vias são fechadas perto dos estádios pelos órgãos de trânsito. No entanto, isso afeta a vida de quem necessita do transporte público

Por Thayná Peres

A fim de não causar tumulto no trânsito em dias de jogos, os órgãos competentes bloqueiam algumas ruas perto dos estádios, desviando a rota dos automóveis. A liberação para a passagem de veículos só ocorre depois de alguns minutos após o início e término das partidas. Mas mesmo evitando o tumulto, esse bloqueio acaba trazendo transtornos principalmente para quem depende do transporte público que utiliza estas vias.

De acordo com o Guia de Recomendações de Parâmetros e Dimensionamentos para Segurança e Conforto em Estádios de Futebol, o transporte individual deve ter um sistema viário ao redor dos estádios que permita um deslocamento fluido de veículos, tanto na chegada quanto na saída dos complexos. Além de vias suficientes e adequadas, devem-se prever também sistemas de monitoramento eletrônico e de controle que minimizem riscos de congestionamentos e de bloqueio de tráfego, sempre em coordenação e parceria com as autoridades de trânsito.

Para o transporte coletivo, os estádios devem estar preferencialmente localizados próximos a estações de trem/metrô e/ou atendidos por linhas de ônibus provenientes de diversos pontos da cidade. Além disso, a ligação entre os pontos de chegada e os portões do estádio deve dispor de acessos pavimentados, bem iluminados e claramente sinalizados, a fim de facilitar o deslocamento dos espectadores.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), no caso de jogos em Curitiba, só realiza operações especiais em clássicos como o Atletiba, para os quais há um bloqueio padrão já formado, com ruas específicas a serem bloqueadas. Algumas vezes há o apoio do Batalhão de Polícia de Trânsito nos bloqueios ou eles mesmos realizam as operações nesses clássicos.

Alexandre Ferreira, 27, conta que já ficou mais de trinta minutos esperando o ônibus passar no ponto perto do Estádio Major Antônio Couto Pereira, mesmo depois da via já estar liberada. “Fiquei um bom tempo no ponto e nada do ônibus, então tive que seguir para a outra avenida onde o meu ônibus passaria mesmo com o desvio. ”

Em dias de jogos é necessário um esforço por parte dos órgãos de trânsito para assegurar um fluxo de tráfego ordenado. Placas de sinalização de vias — permanentes ou temporárias — devem estar colocadas nos arredores do estádio, tornando-se mais frequentes e detalhadas à medida que se aproximem do complexo esportivo.


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